© Gabriela Ruivo Trindade

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© Gabriela Ruivo Trindade

Sunday, 8 February 2015

We should all be feminists, by Chimamanda Ngozi Adichie



Também na literatura homens e mulheres são lidos com diferentes olhos. Quando um homem escreve uma estória de amor, por exemplo, impressiona, demonstra que é inteligente e sensível, sendo este último atributo considerado fora do mundo da masculinidade. Quando uma mulher escreve sobre o mesmo tema, está a fazer apenas aquilo que se espera dela, e, por isso, não impressiona ninguém. Para o conseguir terá de fazer um esforço acrescido para demonstrar que é inteligente e culta, para além de sensível e emotiva. Há pouco tempo, por altura do aniversário de Chico Buarque de Holanda (que eu adoro, note-se), muito se falou do seu sucesso como cantor, compositor e poeta, e o que se ouvia andava quase sempre à volta dos mesmos comentários: a forma única e brilhante como ele consegue descrever os sentimentos de uma mulher. E agora pergunto eu: se aquelas letras fossem escritas por uma mulher, teriam por acaso menos valor? Definitivamente acho que não, mas tenho para mim que se esse fosse o caso ninguém lhe ligava nenhuma! Afinal não é nada de extraordinário uma mulher escrever sobre o amor, as emoções, os afectos, numa perspectiva feminina; o que é extraordinário é um homem, um desses seres analfabetos-emocionais, o conseguir. Esta linha de raciocínio é trágica, quanto a mim, e ofensiva para os homens (e para as mulheres também, como bem me fez notar a Rita Duarte, numa conversa há pouco tempo onde tive oportunidade de expor esta minha opinião, pois as mulheres, tal como os homens, também são seres racionais, como ela muito bem referiu). Enfim, isto tudo a propósito da palestra da Chimamanda Ngozi Adichie, que é espectacular, como sempre.


Also in literature, men and women are read with different eyes. When a man writes a love story, it's impressive: he's showing he's intelligent and sensitive, although this last is regarded as an outsider in the masculine world. When a woman writes the same story, she's only doing what is expected from her, thus cannot impress anyone. To be impressive she would have to make a real effort to show she's as intelligent and educated as she is sensitive and emotional. Some months ago, when Brazilian musician and composer Chico Buarque de Holanda celebrated his birthday (and note that I love his songs), his success as an artist was vastly talked over and over, and almost every comment was made upon his unusual and brilliant talent to describe women's feelings. But let me ask, though: if those lyrics were to be written by a woman, would that have made them less worthy? Surely not, but I think that if this was the case nobody would give her any attention! After all, it's anything but extraordinary a woman writing about love and emotions in a feminine perspective. On the other hand, surely extraordinary is a man, one of those emotionally-illiterate beings, being able to do that. This line of thought is tragic, as I am concerned, and offensive to men (and also to women, as Rita Duarte very well pointed out during a conversation we had not long ago, because women are, as men, rational beings). Anyway, all these thoughts came about Chimamanda Adichie's TED talk, which is amazing as usual.