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No dia 4 de Março de 2021, quinta feira, pelas 18H (hora de Londres e Lisboa), a autora Gabriela Ruivo Trindade estará à conversa com Nara Vidal e Jessica Sinclair, a propósito do seu livro de poesia Aves Migratórias, publicado em 2019 pela editora On y va. O encontro contará ainda com a presença de António Manuel Venda, editor da On y va, e Victor Meadowcroft, tradutor, que lerá alguns poemas do livro traduzidos para inglês. Este evento conta com o apoio da Embaixada de Portugal em Londres e será transmitido ao vivo na página de Facebook da autora: https://www.facebook.com/umaoutravoz Se desejar participar no evento de forma mais activa, tendo a oportunidade de fazer perguntas à autora, terá de se inscrever no Eventbrite para receber o link no Zoom. Clique no link abaixo e faça a compra de um bilhete (gratuito). Posteriormente, receberá o link para o Zoom no seu e-mail. https://www.eventbrite.co.uk/e/aves-migratorias-poesia-de-gabriela-ruivo-trindade-conversa-e-leituras-tickets-136436

Nada na manga

Lembro-me de a minha avó andar com um lenço dentro da manga para se assoar. Nunca me perguntei do motivo para tal. Durante a infância, e boa parte da vida adulta, estes detalhes da vida dos mais velhos não nos causam qualquer inquietação. Olhamos os velhos como se pertencessem a uma espécie diferente: a gente sabe que um dia a metamorfose acontecerá, mas por enquanto ainda estamos do lado de cá. Ao aproximarmo-nos do meio século de existência, caímos na real: não existe transformação nenhuma, nem fronteira; apenas o tempo que traz fraqueza e maleitas ao corpo. Hoje em dia tenho de me assoar constantemente. Não é por andar sempre constipada, é porque o pingo no nariz tornou-se numa constante, capaz de irritar até a mais pacífica das criaturas. É aquele pingo discreto, suave, quase gentil, mas que, não obstante, está sujeito à força da gravidade e, por isso, nos obriga a gastar quantidades de lenços pouco recomendáveis à saúde do planeta. Já pensei várias vezes na praticalidade de andar

Um poema da Pandemia

Isto ou Aquilo Há pouco Na varanda Ouvi o vizinho do lado Não sei onde isto vai parar Não percebi do que falava  Mas lembrei-me da minha mãe  Ontem  Na cozinha Para o meu pai Isto vai de mal a pior Há um senhor na televisão  Que está sempre a dizer Isto é uma vergonha! Assim, com ponto de exclamação  Então resolvi ir ao dicionário  Mas fiquei na mesma O que é um pronominal demonstrativo? Perguntei à minha irmã  Não me chateies Foi a resposta  Eu insisti O que é isto de que toda a gente fala Que é uma vergonha E vai de mal a pior E ninguém sabe onde vai parar? Deve ser a tua língua, puto A minha irmã é uma chata  Está sempre a desconversar  Voltei para a varanda O vizinho continuava ao telefone Ou talvez falasse sozinho Anotei todas as vezes que ele disse a palavra  Isto não pode ser Isto não se aguenta Isto ainda é pior do que eu pensava  Isto é ridículo  Isto é uma merda Isto é demais! Isto é uma coisa Isto não se pode Isto só visto  Porque contado ninguém acredita  Isto é com cada um

A Cabana do Tio Tom

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A Cabana do Tio Tom, o famoso livro de Harriet Beecher Stowe, foi publicado pela primeira vez na íntegra pela Sibila Publicações, e a mim coube-me a honra da sua tradução. Um exercício tremendo, já que foi o meu primeiro trabalho nesta área. O livro já está em pré-venda. Disponível a partir de 15 de Outubro: https://loja.sibila.pt/A-Cabana-do-Tio-Tom-Harriet-Beecher-Stowe A Cabana do Tio Tom , de Harriet Beecher Stowe. Tradução de Gabriela Ruivo Trindade. Introdução de Inocência Mata. Nº páginas: 512 pp. ISBN: 978-989-54367-8-1. Dimensões: 153 x 232 x 33 mm «Então a senhora é a pequena mulher que escreveu o livro que deu início a esta grande guerra!»  — Em 1862, Lincoln encontra-se com Harriet Beecher Stowe na Casa Branca. A segunda obra de ficção mais influente do mundo. — BBC Culture O livro que desencadeou a Guerra da Secessão. Este poderoso e panorâmico romance, um dos livros mais populares, influentes e controversos da História da Literatura, que se publica na sua versão original

Distância de Insegurança - Diário da Pandemia

7 de Abril 2020  Os escritores dividem-se em dois grupos: os que trabalham noutra actividade e meia-dúzia de afortunados que se podem dedicar inteiramente à escrita. Estes últimos, geralmente, passam a vida fechados em casa; os mais sortudos a escrever, e os outros, que na maioria dos casos são outras, a fazer malabarismos domésticos para conseguir escrever. Atenção que estou a falar na generalidade. Sei que há muitos homens que se dedicam às tarefas domésticas. Põem o lixo lá fora, por exemplo. E depois fica o caixote sem saco do lixo. Ou a roupa na máquina, mas encontrar o programa requer toda uma técnica que lhes deixa os neurónios à beira de um colapso. Também tiram a louça da máquina, e depois andamos à procura da tampa da panela e encontramo-la na gaveta dos panos e das pegas. E cozinham, claro, mas só se não tiverem de picar cebola. É que devem ter as glândulas lacrimais mais sensíveis, não sei. Ou então acham que um deve homem chorar, sim senhor, mas nunca por causa de uma cebo

Distância de Insegurança - Diário da Pandemia

6 de Abril 2020  Não pretendo que isto se torne um diário. Não sei que nome dar a isto. São apenas coisas que me passam pela cabeça. Pensamentos velozes. O mundo está parado e o pensamento é a única coisa que corre, para além dos rios. Ou será o contrário? Vemo-nos estagnados, em casa; o corpo insiste em sair e correr para manter a ilusão de movimento, mas no fundo de si tudo está parado, o olhar fixo num ponto lá muito ao fundo, tentando vislumbrar uma réstia de esperança; permanecemos imóveis e o mundo vertiginoso na sua corrida louca em redor do astro rei; os corpos caem no campo de batalha mas não estamos lá para ver, só o silêncio, e a ausência rapidamente se confunde com indiferença, fica o coração confundido; devemos chorar, espremer a angústia até ao tutano, ou dar graças por não ser connosco? Os pensamentos sucedem-se em linha recta e às curvas. No outro dia, os miúdos falavam entre eles, um dizia que os pensamentos ficam destituídos de moralidade se não se concretizarem num

Capitolina Revista - Uma publicação dedicada à literatura em língua portuguesa

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A Capitolina Revista é uma publicação inteiramente dedicada à literatura em língua portuguesa com edição de Nara Vidal, autora brasileira distinguida com o Prémio Oceanos para o romance Sorte. Nela colaboram Silvia Gasparoni, responsável pela Lusoteca na revista online LuciaLibri, e que faz toda a paginação e design gráfico em PDF, Carla Bessa, escritora, tradutora e resenhista, que escreve resenhas literárias, e Gabriela Ruivo Trindade, moi-même , com a rubrica As Personagens da minha Vida, em que escritores nos apresentam personagens literárias que os marcaram, e matérias várias. Revista:  https://www.capitolinabooks.com/revista-oblique Artigo da Silvia Gasparoni na revista LuciaBibri sobre a Capitolina (de onde foi retirada a composição fotográfica): https://www.lucialibri.it/2020/07/23/capitolina-vitalita-lusofona/