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Miúda Children's Books in Portuguese

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Lembram-se da Miúda ? A livraria online sediada em Londres, especializada em livros infantis em língua portuguesa? Pois a livraria passou por um processo de transição e conta agora com uma nova directora. Adivinhem quem? Eu mesma. Recordo aqui o texto que escrevi sobre a Miúda há já algum tempo: Em Londres, a comunidade portuguesa já soma para cima de 30 000 habitantes. Uma das grandes preocupações de quem emigra, no caso de ter crianças, é a adaptação à nova língua e as possíveis consequências para a aprendizagem e o progresso escolar. Isto numa primeira fase, antes mesmo de apanhar o avião. Porque, uma vez chegados, instalados, e as crianças na escola, rapidamente nos apercebemos de que não é essa a grande preocupação, uma vez que, regra geral, as crianças têm um poder de assimilação de uma nova língua incrível. A dor de cabeça passa, assim, a ser outra: a preservação da língua materna. Os miúdos ficam completamente submergidos num meio onde a língua inglesa é predominante. Rapid...

"Mexeu com uma, mexeu com todas"

O caso de assédio da Globo retrata bem, mas tão bem as dinâmicas em jogo em casos de assédio que parece ter acontecido para nos dar uma lição. "Não, o cara não representa ameaça." "É alguém que a gente conhece." "Não fez por mal, foi uma brincadeira." etc, etc, etc Frases típicas saídas da boca de homens (e também de algumas mulheres). Pessoas que se solidarizam com o agressor porque o conhecem, é boa pessoa, e acham que este não seria capaz de fazer realmente mal a alguém. Pois esse é o problema. A nossa incapacidade de reconhecer que as boas pessoas (aqueles que a gente considera como tal) são capazes de actos condenáveis. Todos nós, aliás. As frases acima também demonstram a tentativa de minimizar esses actos. Afinal, uns piropos, que mal tem? Se não gostas de ouvir, ignora! Pôs a mão na perna, no braço, no peito, na vagina? Ah, releva! Não deixou marca, pois não? Pois que fique bem claro: deixou, sim. Deixa marca sempre. TUDO: os olhares, os pi...

Fados Nunca Dantes Navegados

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O projecto Fados Nunca Dantes Navegados, em co-autoria com a Sandra Marques, e que reúne fotografia e ficção narrativa, foi publicado em parte da Revista Egoísta de Dezembro e encontra-se agora disponível online, na íntegra. Aceda ao site clicando aqui:  https://gabrielaruivo1.wixsite.com/fados

Poetas na Diáspora - Antologia

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A I Antologia de Poetas na Diáspora ( Oxalá Editora - Autores da Diáspora ), contemplando 21 poetas de vários países, chegará em breve a algumas livrarias em Portugal, e já se encontra disponível aqui .

Grandes e pequenos idiotas

Assim como há grandes e pequenos filhos da puta, também há grandes e pequenos idiotas. Os pequenos idiotas não trazem grande mossa ao mundo; já os grandes idiotas não podem passar despercebidos. Não estando nunca contentes com o seu tamanho, esforçam-se constantemente por ser maiores e melhores idiotas. Claro que se acham o máximo, e claro que os outros é que são os idiotas, na sua perspectiva. As suas opiniões deveriam até ser emolduradas a ouro e penduradas nas paredes. Que digo eu? Deviam erguer-se monumentos nacionais às suas ideias brilhantes e visionárias. O grande drama do grande idiota é precisamente este: ninguém parece reparar que só do seu cérebro milagroso é que brotam pérolas dignas desse nome, que só da sua mente genial é que se eleva, qual ave rara e perfeita, a verdade absoluta. Que fazer, então, para que o mundo repare neles? Aqui começa a grande luta do grande idiota. Há que embandeirar a maravilhosa e prodigiosa obra da natureza que transportam nos seus crânios. E, c...

Apaixonei-me por um livro

23 de Março de 2009 O meu livro muito amado: corpo delicado, mãos pequenas, unhas roídas, olhar doce e cabelos fartos, negros, que lhe caem em cachos até ao pescoço. Eu vivia para aquele livro: esperava pelas idas ao teatro como se apenas ali, naquele espaço mágico, me fosse possível respirar. Naquela altura desconhecia que a rapariga que eu amava era um livro, assim como todas as pessoas que eu conhecia. Só o soube depois de morto. Que fosse preciso morrer para me aperceber de uma coisa tão óbvia é espantoso. Serão os vivos todos cegos como eu era? As pessoas são livros porque têm muitas páginas. Quando olhamos alguém vemos apenas a página de rosto, tal como quando olhamos um livro. Ao abri-lo, outras páginas se revelam; porém, só uma de cada vez: há sempre aquelas que permanecem ocultas. O mesmo se passa com as pessoas. Os livros que amamos, aqueles que nos conquistam, são os que lemos até ao fim, vencidos; os mesmos que, chegados à última página, não queremos que terminem...

Apaixonei-me por um livro, amanhã no Jornal de Letras

Um Festival Literário não se esgota nas conferências, conversas e convívio entre escritores, organizadores e jornalistas. Quando, no dia 16 de Abril, embarquei no Aeroporto do Funchal, de regresso a Londres, trazia na mala um punhado de estórias que as pessoas e os lugares que visitei me foram contando ao longo daqueles cinco dias. Fui até à Fajã da Ovelha com o Duarte, a Manuela e o Francisco, onde nos perdemos no nevoeiro à procura da escola e não conseguíamos ver a Igreja que toda a gente nos indicava como ponto de referência. Chegámos a desconfiar de que, por aquelas bandas, se chamava Igreja a locais mais prosaicos de práticas de rituais de convívio e consumo de bebidas espirituosas. Ouvi relatos sobre as cheias de 2010 e pressenti o horror da tragédia no relevo acidentado da ilha, nas ribanceiras e escarpas que se abatem na ferocidade do mar, na voz de quem me falava de algo que parecia ter sucedido, não há seis anos, mas ontem, porque a dor estanca o correr do tempo e não deixa ...